Mercado eleva projeção de inflação para 4,99% e corta a do PIB — o que diz o Focus
A conta de luz sem o bônus de Itaipu empurrou a estimativa de volta para perto de 5%, acima do teto da meta. Dólar e juros ficam onde estavam — e é aí que mora o recado para quem pensa em dólar
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins. Leo Martins tem vínculo com The Florida Lounge, anunciante deste conteúdo.

O mercado financeiro voltou a subir a aposta para a inflação deste ano e cortou, pela terceira semana seguida, a de crescimento da economia. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (28), a mediana das projeções para o IPCA de 2026 passou de 4,92% para 4,99%. A do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,88% para 1,86%.
Os números foram conferidos no próprio sistema de expectativas do BC, que reúne as estimativas de bancos, gestoras e consultorias e serve de base ao boletim.
O que empurrou a inflação
A revisão veio depois da prévia da inflação de setembro. O IPCA-15, divulgado pelo IBGE na sexta-feira (25), subiu 0,70%, depois de uma deflação de 0,40% em agosto, e o acumulado em 12 meses foi a 4,47%, segundo a Agência Brasil. O principal motivo foi a conta de luz: a energia elétrica residencial subiu 7,42% no mês porque o desconto do bônus de Itaipu, que tinha baixado as contas de agosto, não se repetiu.
Há um detalhe que a manchete não mostra. Quatro semanas antes, a mediana do Focus para a inflação de 2026 estava em 5,01%. Ou seja, a estimativa subiu na semana, mas segue um pouco abaixo do que o mercado esperava no fim de agosto — e continua acima do teto da meta. A meta de inflação é de 3%, com tolerância até 4,5%, segundo a Revista Oeste.
- 4,99%inflação projetada para 2026 (era 4,92% na semana anterior)
- 1,86%crescimento projetado do PIB em 2026 (era 1,88%)
- R$ 5,20dólar projetado para o fim de 2026, sem mudança
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Juros e dólar parados
As outras duas variáveis que mais interessam a quem pensa em dólar não se mexeram na semana. A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,50% ao ano — quatro semanas antes, era 13,75% —, com 12% em 2027 e 10,5% em 2028. Para o dólar, as projeções são de R$ 5,20 no fim deste ano, R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.
Para 2027, a inflação projetada subiu de 4,30% para 4,31%, e o PIB caiu de 1,43% para 1,41%. Para 2028, o IPCA esperado segue em 3,8%.
O Banco Central cortou a Selic para 13,75% em setembro. Na ata dessa reunião, o Copom escreveu que as expectativas de inflação “permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes” e que expectativas desancoradas tornam mais caro trazer a inflação de volta.
E daí para quem pensa em dólar
O Focus não é previsão do BC, e sim o consenso do mercado — que muda toda semana. Ainda assim, duas leituras ajudam quem tem patrimônio em reais. A primeira: com Selic projetada em 13,50% e inflação perto de 5%, a diferença entre as duas medianas — uma conta simples do juro real — fica em torno de 8,5 pontos percentuais — é esse ganho acima da inflação que entra na comparação com o que o mesmo dinheiro renderia em dólar. A segunda: a estimativa de dólar estável em torno de R$ 5,20 é uma mediana, não um piso — e o próprio Copom lista o câmbio mais depreciado entre os riscos para a inflação.
O próximo teste é o IPCA cheio de setembro, que vai mostrar se o efeito da conta de luz foi pontual ou se a inflação ganhou fôlego em outros itens.
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Fontes: Banco Central — Sistema de Expectativas de Mercado (medianas anuais que formam o Boletim Focus) (coletas de 28/08, 18/09 e 25/09/2026 (Focus de 28/09/2026; lido em 01/10/2026)); Banco Central — Boletim Focus (28/09/2026); Agência Brasil — "Mercado eleva projeção de inflação para 4,99% e reduz PIB" (Pedro Peduzzi) (28/09/2026); Agência Brasil — "Prévia da inflação oficial de setembro fica em 0,70%, mostra IBGE" (Bruno de Freitas Moura) (25/09/2026); Banco Central — Ata da 281ª reunião do Copom (parágrafos 3, 10 e 18) (22/09/2026); Revista Oeste — "Focus: mercado vê inflação maior em 2026 e 2027 e reduz projeção para o PIB" (meta e intervalo de tolerância) (28/09/2026).

