Tarifaço: EUA devem mandar ao Brasil uma proposta de negociação — o que está em jogo
Depois de reunião em Milwaukee, o governo diz que Washington enviará nas próximas semanas o escopo de um possível acordo. Enquanto isso, parte das exportações brasileiras segue pagando até 37,5% a mais para entrar nos EUA
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins. Leo Martins tem vínculo com The Florida Lounge, anunciante deste conteúdo.

Depois de dois meses de conversas, Brasil e Estados Unidos saíram de uma reunião com um próximo passo definido: o governo americano deve enviar, “nas próximas semanas”, um documento com a proposta de escopo das negociações sobre as tarifas, incluindo questões tarifárias e não tarifárias, segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dois países também vão criar um grupo de trabalho para um possível acordo.
O encontro foi nesta quarta-feira (30), em Milwaukee, no estado de Wisconsin, à margem da reunião de ministros do Comércio do G20. Participaram os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (MDIC) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. O governo descreveu a conversa como construtiva, informou a Agência Brasil; o diálogo foi retomado após o telefonema entre Lula e Donald Trump em 21 de agosto.
O que é o tarifaço de 2026
São duas sobretaxas, ambas decididas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento para retaliar práticas que Washington considera desleais:
- 25% sobre parte dos produtos brasileiros, em vigor desde 22 de julho. O USTR cita comércio digital e pagamentos eletrônicos (o Pix), tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
- 12,5% adicionais desde 24 de julho, sob a alegação de que o Brasil não barra produtos feitos com trabalho forçado. Atingiu 54 países e substituiu a taxa global de 10% criada em fevereiro, quando a Suprema Corte americana derrubou as “tarifas recíprocas” de 2025, segundo a Agência Brasil.
Somadas, as duas cobranças podem chegar a 37,5% em parte das exportações. O governo rejeita as justificativas e disse que pretende recorrer à Lei de Reciprocidade e à Organização Mundial do Comércio (OMC).
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Quais produtos pagam
- ~2,3 milprodutos atingidos pela tarifa de 25%
- 18% a 19%das exportações brasileiras aos EUA, conforme a estimativa
- US$ 7,2 a 11 biem vendas afetadas, segundo Apex-Brasil e Amcham
Pagam a tarifa de 25% ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas e elétricas e outros manufaturados. Ficaram de fora itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café — um terço das vendas aos EUA no semestre —, além de celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja, segundo a Agência Brasil. São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto, segundo a Apex-Brasil.
O que muda para quem exporta — e para o câmbio
Por enquanto, nada muda para o exportador: as sobretaxas seguem valendo e a proposta americana ainda não chegou. A reunião criou um canal de negociação e um prazo vago.
No agregado, especialistas ouvidos pela Agência Brasil esperam efeito limitado sobre a balança comercial: os EUA recebem cerca de 9,4% das exportações brasileiras, segundo Lia Valls (Ibre/FGV), e o Brasil teve déficit de US$ 1,5 bilhão com os americanos no primeiro semestre, pelos dados do MDIC. O peso recai sobre a indústria que depende do mercado americano, como máquinas, aço e calçados.
No dia da reunião, o dólar caiu 0,76%, a R$ 5,174, mas a Agência Brasil atribuiu o movimento principalmente aos dados de inflação dos EUA, e não à negociação. Para quem pensa em dólar, o que os especialistas descrevem até aqui é um efeito concentrado em setores, e não na balança como um todo.
O que acompanhar
O documento americano vai mostrar o tamanho da mesa: se a conversa fica nas tarifas ou inclui temas como Pix e etanol, citados pelo USTR. Até lá, a sobretaxa segue na conta de quem exporta.
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Fontes: MDIC — nota "Reunião presencial Brasil-EUA sobre temas comerciais" (30/09/2026); Agência Brasil — Brasil e EUA criam grupo específico para negociar tarifaço (30/09/2026); USTR — Section 301 Action on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices (15/07/2026); Agência Brasil — Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA (16/07/2026); Agência Brasil — Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira (20/07/2026); Agência Brasil — Tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil começa a valer (22/07/2026); Agência Brasil — EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros (23/07/2026); Agência Brasil — Dólar cai para R$ 5,17 e acumula recuo de 0,15% em setembro (30/09/2026); g1 (sinal do radar — matéria não aberta; fatos confirmados na nota do MDIC e na Agência Brasil) (30/09/2026).

