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Afinal, para onde vai o dólar? O Bank of America vê alta até o "pico" — a leitura que convive com o "Sell America"

Para o estrategista Michael Hartnett, do BofA, a aversão ao risco deve durar até o dólar no mundo atingir o pico; é a visão de curto prazo que convive com a tese de enfraquecimento da moeda — e por que nenhuma das duas muda o motivo de dolarizar

Leo Martins · · 3 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Fachada do Founders Hall, no complexo da sede do Bank of America em Charlotte, na Carolina do Norte, com o letreiro do banco sobre a entrada, árvores e mesas na praça em frente
Foto: Kiran891 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · origem

Afinal, para onde vai o dólar? Entre tantas leituras de banco, duas convivem no mercado. Uma, que já tratamos aqui ao noticiar o estudo do Itaú, é a do "Sell America": desde 2025 a moeda americana perdeu força no mundo, à medida que investidores reduziram a exposição a ativos dos Estados Unidos. A outra, publicada em 2 de outubro pela Bloomberg Línea, vem do Bank of America (BofA) e aponta para cima — pelo menos no curto prazo. Antes de tudo, um aviso que muda o sentido de cada manchete: o "dólar" dessa análise é o dólar no mundo — um índice que mede a moeda americana contra as divisas dos principais parceiros comerciais dos EUA —, não a cotação em reais.

O que o Bank of America está dizendo

Segundo Michael Hartnett, estrategista do BofA, o clima de aversão ao risco deve perdurar até o dólar dar sinais de ter atingido o pico. A leitura, atribuída ao banco pela Bloomberg Línea e pela Bloomberg, parte de um movimento recente: o índice do dólar da Bloomberg subiu 3% em relação à mínima de setembro. Para Hartnett, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano seguirem nos níveis mais altos em mais de duas décadas, o ambiente continua de cautela — e ele recomenda começar a incluir alguns títulos (bonds) nas carteiras para aproveitar os preços deprimidos. Entre os fatores citados estão a pressão inflacionária ligada à guerra no Irã, a expectativa de mais aperto monetário à frente e o forte crescimento dos lucros das empresas.

Vale repetir, porque é o ponto que a manchete atropela: isso é previsão, não fato. É a leitura de um banco sobre o rumo da moeda — não uma certeza, nem uma recomendação de comprar ou vender qualquer ativo.

A leitura que convive com o "Sell America"

As duas visões parecem opostas, mas falam de prazos diferentes. O "Sell America" descreve um movimento mais longo, de enfraquecimento do dólar desde o início de 2025. A leitura do BofA trata do curto prazo: depois da mínima de setembro, a moeda americana engatou uma recuperação — a tal alta de 3% no índice — e o banco entende que a aversão ao risco segue enquanto essa recuperação não mostrar sinais de topo. Uma não anula a outra; juntas, dizem o óbvio que o mercado insiste em esquecer: ninguém crava para onde o câmbio vai.

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O que isso muda para quem pensa em dolarizar agora

Pouco — e é justamente aí que está o ponto. Quando bancos do mesmo porte leem o futuro do dólar em direções diferentes, fica claro que dolarizar patrimônio não é apostar no câmbio da semana. Dolarizar é proteção, não aposta. Ter parte do patrimônio na moeda americana serve para não deixar tudo exposto a um único país e a uma única moeda — um papel que não depende de o dólar subir ou cair no próximo trimestre.

Para quem tem um objetivo com data marcada — uma compra, uma mudança, um filho estudando fora —, o risco não é "errar o pico" que nem o BofA arrisca cravar: é concentrar toda a troca de moeda em um único dia. Diluir a compra ao longo do tempo tira do câmbio de uma data o poder de definir o plano inteiro.

Leitura do Bank of America: declarações de Michael Hartnett, estrategista do banco, segundo a Bloomberg Línea Brasil ("Clima de aversão ao risco deve perdurar até dólar atingir pico, avalia Bank of America", 2/10/2026) e a Bloomberg (via Yahoo Finance, 2/10/2026). O índice citado é o índice do dólar da Bloomberg. Trata-se de avaliação de mercado, não de fato consumado, e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.

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Fontes: Bloomberg Línea Brasil — "Clima de aversão ao risco deve perdurar até dólar atingir pico, avalia Bank of America" (declarações de Michael Hartnett, estrategista do BofA) (02/10/2026 (lido em 04/10/2026)); Bloomberg (via Yahoo Finance) — "BofA's Hartnett Sees Risk-Off Mood Lasting Until Dollar Peaks" (02/10/2026 (lido em 04/10/2026)).

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