Dólar segue firme em R$ 5,22 na véspera do primeiro turno — mesmo com o emprego fraco nos EUA
A PTAX de fechamento ficou em R$ 5,2238, praticamente no nível da véspera, mesmo com o emprego americano mais fraco enfraquecendo o dólar no mundo — a cautela com o cenário local segurou o real
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

O dólar entrou na reta final antes do primeiro turno das eleições sem susto. A PTAX — a taxa oficial de fechamento calculada pelo Banco Central e usada em contratos e remessas — ficou em R$ 5,2238 nesta sexta-feira (2), ante R$ 5,2079 na véspera, uma alta de apenas 0,3%. Depois de pular para o patamar de R$ 5,22 na quarta, num dia de aversão a risco no exterior, a moeda praticamente parou — e parou mesmo tendo um bom motivo para cair.
O motivo veio dos Estados Unidos. O relatório de emprego de setembro, divulgado nesta sexta, mostrou a criação de apenas 29 mil vagas no mês, bem abaixo do esperado, e a taxa de desemprego subiu a 4,2%, segundo o Departamento do Trabalho americano. Emprego fraco costuma enfraquecer o dólar no mundo, porque reforça a aposta de que o Federal Reserve (o banco central dos EUA) terá espaço para cortar juros. Lá fora, foi o que aconteceu. Aqui, o real não conseguiu aproveitar o fôlego.
Por que o real não aproveitou o dólar fraco lá fora
A diferença tem nome: cautela com o cenário local. Às vésperas de uma eleição, investidores costumam reduzir apostas direcionais — evitam comprar ou vender com convicção — e preferem esperar o resultado. É o ambiente em que uma notícia boa para o real, como o dólar caindo no exterior, encontra um freio interno.
Há ainda a parte que não aparece no placar do dia: o risco de um evento conhecido, com data marcada, costuma já estar em parte embutido no preço antes de ele acontecer. Quanto exatamente, ninguém diz com antecedência — e é por isso que tentar adivinhar o "melhor dia" para comprar dólar é um jogo incerto.
- R$ 5,2238PTAX de fechamento de 2/10, segundo o Banco Central
- 29 milvagas criadas nos EUA em setembro, bem abaixo do esperado
- −4,83%variação do dólar em 2026 até 1º/10
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De onde o dólar veio
Setembro terminou praticamente de lado: a PTAX fechou o mês em R$ 5,1809, segundo o Banco Central. No meio do caminho, porém, a moeda andou de R$ 5,08 (no dia 8) a R$ 5,22 (no dia 29) — uma oscilação de mais de 2% que, numa remessa, faz diferença real. A virada para o patamar atual começou no fim de setembro, com a tensão no Oriente Médio e a alta do petróleo, e ganhou corpo em 1º de outubro, quando o dólar à vista fechou a R$ 5,224, em alta de 0,97%, e o Ibovespa terminou a 187.197,46 pontos, segundo a Agência Brasil. O Brent chegou a US$ 102,31 o barril naquele dia.
Nesta sexta, com o petróleo recuando e o emprego americano fraco, a bolsa oscilou ao longo do pregão — o movimento do dia só se confirma no encerramento. No câmbio, o recado foi de firmeza: o dólar seguiu colado em R$ 5,22.
O que isso muda para quem pensa em dolarizar
Pouco, no curto prazo — e esse é o ponto. Um único pregão, ainda mais em véspera de eleição, não é um bom guia para decidir quando levar patrimônio para o dólar. O próprio setembro, que terminou quase empatado mas oscilou mais de 2% entre a mínima e a máxima, mostra o risco de concentrar a compra da moeda numa só data.
Para quem tem um compromisso em dólar com prazo — a parcela de um imóvel, a mensalidade de uma escola, uma reserva —, a lição de sempre pesa mais do que o placar do dia: diluir a compra no tempo reduz a chance de acertar justamente o pior momento. O Copom, aliás, só volta a se reunir em novembro, com a Selic em 13,75% ao ano, segundo o Banco Central — ou seja, o juro brasileiro, que também mexe com o câmbio, está parado até lá.
PTAX: Banco Central do Brasil, cotação de venda. Dólar à vista e Ibovespa de 1º/10: Agência Brasil. Emprego dos EUA: Departamento do Trabalho dos EUA (BLS). Esta matéria registra o mercado na véspera do primeiro turno; o fechamento do pregão de 2/10 é atualizado quando divulgado pela fonte oficial.
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Fontes: Banco Central do Brasil — PTAX (cotações de fechamento, série diária, API Olinda) (01/10/2026 e 02/10/2026 (lido em 02/10/2026)); Agência Brasil — "Dólar fecha acima de R$ 5,22 em dia de mal-estar global" (01/10/2026); U.S. Bureau of Labor Statistics — "Employment Situation — September 2026" (relatório oficial de emprego dos EUA) (02/10/2026); Banco Central do Brasil — PTAX, série diária de setembro de 2026 (cotações de fechamento, API Olinda) (31/08/2026 a 30/09/2026); Banco Central do Brasil — Comunicado da 281ª reunião do Copom (taxa Selic) (16/09/2026).

