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Dólar perde força no mundo com o "Sell America": o que muda — e o que não muda — para quem dolariza patrimônio

Estudo do Itaú atribui a maior parte da queda da moeda americana desde 2025 à desconfiança com os EUA; contra o real, o dólar caiu 16% no período, mas proteger patrimônio não é apostar no câmbio

Redação Valor & Mercado · · 4 min de leitura
Fachada da Bolsa de Valores de Nova York, com colunas e bandeiras, vista da escadaria do Federal Hall, na esquina de Wall Street com Broad Street, com pedestres na rua (foto de 2017)
Foto: Arild Vågen / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · origem

O dólar está mais fraco no mundo do que no começo de 2025, e um estudo do Itaú Unibanco tenta separar os motivos. Segundo o relatório, noticiado pelo InfoMoney em 21 de setembro e pela Folhapress em 29 de setembro, o dólar multilateral — que mede a moeda americana contra as divisas dos principais parceiros comerciais dos EUA, real incluído — acumula queda de cerca de 9% desde o início de 2025.

A maior parte da queda veio da desconfiança com os EUA

Do recuo total, cerca de 4,7 pontos percentuais são atribuídos pelo Itaú ao chamado "Sell America", a redução ampla da exposição a ativos americanos — bolsa, títulos e a própria moeda. Outros 3 pontos vêm da percepção sobre a independência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e 1,7 ponto, da política monetária. Para o tarifaço, a contribuição estimada ficou próxima de zero, segundo o banco.

"É um trade relacionado a todos os ativos dos EUA em queda", disse à Folhapress a economista Gabriella Garcia, autora do estudo. Segundo o Itaú, a preocupação com a autonomia do Fed já perdeu força depois que o banco central subiu os juros.

O que os dados oficiais mostram

Os dados do Fed confirmam a direção, com números diferentes. Segundo o índice amplo do dólar do Federal Reserve, a moeda caiu de 129,28 pontos em 31 de dezembro de 2024 para 120,33 em 25 de setembro de 2026, recuo de 6,9%. Segundo o mesmo índice, no ponto mais baixo, em 29 de janeiro de 2026, a queda chegava a 9,2%; em setembro, ele voltou a subir, cerca de 2% entre os dias 9 e 25. O estudo do Itaú usa índice e data de corte próprios, que as reportagens não detalham.

Contra o real, o movimento foi maior. Segundo a PTAX, a taxa oficial do Banco Central, o dólar saiu de R$ 6,1923 em 31 de dezembro de 2024 para R$ 5,1809 em 30 de setembro de 2026, queda de 16,3%. Como o real ganhou mais do que o dólar perdeu na média do mundo, a alta da moeda brasileira não se explica só pela fraqueza americana.

  • ~9%queda do dólar multilateral desde o início de 2025, segundo o Itaú
  • −6,9%índice amplo do dólar do Fed, de 31/12/2024 a 25/09/2026
  • −16,3%dólar contra o real pela PTAX, de 31/12/2024 a 30/09/2026
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O que muda para quem dolariza

A moeda americana ficou mais barata em reais. Segundo a PTAX do Banco Central, US$ 100 mil custavam R$ 619.230 em 31 de dezembro de 2024 e R$ 518.090 em 30 de setembro de 2026. Isso não indica para onde o câmbio vai: o próprio setembro teve o dólar subindo no mundo depois da mínima do mês.

A ideia de que "o dólar só sobe" perdeu força. A moeda americana pode passar longos períodos perdendo valor, inclusive contra o real.

O que não muda

O estudo não muda o motivo central de dolarizar. Dolarizar é proteção, não aposta. Ter parte do patrimônio em dólar serve para não deixar tudo exposto aos riscos de um único país e de uma única moeda — papel que não depende de o dólar subir no próximo trimestre.

O dólar segue no centro do sistema. Mesmo depois da queda, a moeda americana respondia por 57,13% das reservas cambiais dos bancos centrais com moeda identificada no primeiro trimestre de 2026, segundo o Fundo Monetário Internacional.

O estudo explica o passado, não prevê o futuro. Para quem tem compromisso em dólar com data marcada, o risco continua sendo concentrar a compra da moeda em um único dia.

Dólar multilateral e decomposição da queda: estudo do Itaú Unibanco, segundo InfoMoney (21/09/2026) e Folhapress (29/09/2026). Índice amplo do dólar: Federal Reserve, série DTWEXBGS (dados até 25/09/2026, consultados via FRED em 01/10/2026). PTAX: Banco Central do Brasil, cotação de venda. Variações e valor de US$ 100 mil em reais: cálculo do Valor & Mercado com base nesses dados.

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Fontes: InfoMoney — "Tarifas? 'Sell America' explica maior parte da queda do dólar desde 2025, aponta Itaú" (estudo do Itaú Unibanco) (21/09/2026); Folhapress (via Notícias ao Minuto) — "Dólar perde força com 'Sell America' e incertezas geradas por governo Trump, diz Itaú" (29/09/2026); Federal Reserve — Nominal Broad U.S. Dollar Index (série DTWEXBGS, release H.10), via FRED (31/12/2024 a 25/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Banco Central do Brasil — PTAX (cotação de venda, API Olinda) (31/12/2024 e 30/09/2026 (lido em 01/10/2026)); FMI — IMF Data Brief, Currency Composition of Official Foreign Exchange Reserves (COFER), 1º tri/2026 (01/07/2026).

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