Inflação de setembro é a maior para o mês desde 2021 e volta a passar do teto da meta
A conta de luz voltou ao preço cheio depois do desconto de agosto e puxou a alta de 0,82%; em 12 meses, a inflação chegou a 4,58% e passou do limite de 4,5%
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

A inflação oficial subiu 0,82% em setembro, segundo o IBGE, que divulgou o dado na sexta-feira (9). É a maior alta para o mês desde 2021, quando o IPCA de setembro foi de 1,16%. E veio acima do que o mercado esperava: a mediana do Boletim Focus para setembro era de 0,60%.
Em 12 meses, a inflação foi a 4,58%. Em agosto, estava em 4,22%. Com isso, voltou a passar do teto da meta. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos — ou seja, o limite é 4,5%.
A conta de luz voltou ao preço cheio e subiu 7,98%
O maior peso veio da energia elétrica residencial, que subiu 7,98% no mês. Em agosto, o Bônus de Itaipu tinha dado um desconto na conta de luz; em setembro ele acabou, e só a luz respondeu por 0,32 ponto percentual dos 0,82%. O grupo habitação, onde entra a energia, subiu 2,31%.
Comida e transporte também pesaram. Alimentação e bebidas subiram 0,83%, com o tomate 37,76% mais caro e a batata, 24,07%. Nos transportes, que subiram 0,89%, a passagem aérea aumentou 9,66% e a gasolina, 1,21%. Dos 377 produtos e serviços que o IBGE acompanha, 55% ficaram mais caros.
- 0,82%inflação de setembro, a maior para o mês desde 2021
- 4,58%inflação em 12 meses, acima do teto de 4,5%
- 7,98%alta da conta de luz em setembro
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Analistas previam corte da Selic para 13,50% em novembro, sem saber ainda a inflação de setembro
O Banco Central baixou a Selic para 13,75% ao ano em setembro. Na pesquisa Focus mais recente, feita até 2 de outubro — antes de o IPCA de setembro sair —, a mediana dos analistas apontava mais um corte na reunião do Copom de 3 e 4 de novembro, para 13,50%, e a taxa parada nesse nível em dezembro. A mesma pesquisa projetava inflação de 5,01% para 2026 inteiro, também acima do teto.
A próxima pesquisa Focus vai mostrar se os analistas mudaram essas contas depois da surpresa de setembro. O que estava em jogo para a Selic antes do dado está em onde estão os juros e o que o mercado espera do Copom de novembro; a revisão anterior das projeções de inflação, em o mercado eleva a projeção de inflação para 4,99%.
Com a inflação de 12 meses, R$ 100 mil parados compram hoje o que R$ 95,6 mil compravam
A inflação de 12 meses mostra quanto o real perdeu de poder de compra. Com 4,58%, o que custava R$ 100 mil em setembro do ano passado custa, em média, R$ 104.580 hoje. Dito de outro jeito: quem deixou R$ 100 mil parados, sem render nada, compra hoje o que R$ 95,6 mil compravam há um ano.
A Selic de 13,75% ainda rende bem acima disso. Para quem pensa em ter parte do patrimônio em dólar, a comparação junta três peças: quanto o dinheiro rende em real, quanto a inflação come desse rendimento e quanto o câmbio pode variar no caminho. Na mesma pesquisa Focus, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,20 — uma projeção, que muda toda semana, e não um preço garantido.
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Fontes: IBGE — SIDRA, tabela 7060 (IPCA por grupos — variação mensal, no ano e em 12 meses, agosto e setembro de 2026) (09/10/2026 (lido em 10/10/2026)); IBGE — SIDRA, tabela 7060 (IPCA de setembro, índice geral, 2021 a 2026) (lido em 10/10/2026); IBGE — SIDRA, tabela 7060 (subitem energia elétrica residencial, setembro de 2026) (lido em 10/10/2026); Agência Brasil — "Inflação oficial de setembro fica em 0,82%, mostra IBGE" (09/10/2026 (lido em 10/10/2026)); Banco Central — Sistema de Expectativas de Mercado (medianas anuais de IPCA, Selic e câmbio que formam o Boletim Focus) (coleta de 02/10/2026 (lido em 10/10/2026)); Banco Central — Sistema de Expectativas de Mercado (medianas mensais do IPCA, referência 09/2026) (coleta de 02/10/2026 (lido em 10/10/2026)); Banco Central — Sistema de Expectativas de Mercado (Selic por reunião do Copom) (coleta de 02/10/2026 (lido em 10/10/2026)); InfoMoney — calendário de reuniões do Copom em 2026 divulgado pelo BC (24/06/2025 (lido em 10/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 432 (meta Selic) (lido em 10/10/2026).

