Alberta vota para ficar no Canadá, mas o Quebec elegeu um governo que promete referendo sobre a independência
Cerca de 76% dos eleitores de Alberta, a província do petróleo, rejeitaram o caminho da separação, e o dólar canadense subiu; no Quebec, o partido separatista voltou ao governo e promete nova consulta para após 2029
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Alberta, a província do petróleo no oeste do Canadá, vai continuar no país. No referendo de 19 de outubro, cerca de 76% dos eleitores votaram para a província seguir no Canadá, e 24% para abrir o caminho da separação, segundo a contagem parcial da Elections Alberta, o órgão eleitoral da província. O resultado alivia o mercado, mas não encerra o assunto: no Quebec, o partido que defende a independência acaba de voltar ao governo prometendo outro referendo.
Os eleitores de Alberta não votaram a independência, e sim se abririam o caminho para ela
A pergunta tinha duas opções: Alberta continuar como província do Canadá ou o governo da província começar o processo legal, previsto na Constituição canadense, para um segundo referendo, este sim com efeito obrigatório, sobre a separação. Na contagem das 7h da manhã de 20 de outubro, no horário de Alberta, eram 1,37 milhão de votos para ficar e 438 mil para seguir rumo à separação. A consulta não obriga o governo a nada, e a lei dá 48 horas para a contagem à mão das outras nove perguntas do mesmo referendo.
A premiê Danielle Smith, que convocou o voto, mas votou contra a separação, comemorou o «amplo apoio a continuar no Canadá». O líder separatista Jeffrey Rath disse que o movimento «não vai a lugar nenhum».
O petróleo alimentou o movimento separatista e chamou a atenção de Washington
Alberta tem a quarta maior reserva provada de petróleo do mundo, e a raiva com o jeito como o governo federal trata a indústria do petróleo foi o motor do movimento separatista. Do lado americano, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, chegou a chamar Alberta de «parceiro natural» de Washington. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, se aliou a Smith para levar adiante um novo oleoduto que exporta mais petróleo de Alberta para outros continentes.
No Quebec, os separatistas venceram a eleição e prometem um terceiro referendo
Na eleição de 5 de outubro, o Parti Québécois, que defende a independência do Quebec, ganhou 59 das 127 cadeiras da Assembleia Nacional, com 28% dos votos. Ficou a cinco cadeiras da maioria, de 64, e vai governar dependendo da oposição. O líder do partido, Paul St-Pierre Plamondon, prometeu um terceiro referendo sobre deixar o Canadá ainda neste mandato, mas disse que vai esperar Donald Trump deixar a Casa Branca, em janeiro de 2029. Liberais e conservadores dizem que vão combater a consulta, e o apoio à independência está em torno de 30%. Os quebequenses já disseram não à separação em 1980 e em 1995.
Já pensou em ter uma parcela do seu patrimônio na moeda mais forte do mundo?
Venha conversar conosco.
Para o dinheiro, o recado é que risco político também existe em país rico
O resultado de Alberta e o petróleo firme fizeram o dólar canadense subir 0,4% na manhã de 20 de outubro, segundo os estrategistas do Scotiabank. O economista-chefe do Bank of Montreal, Doug Porter, descreveu a reação do mercado como «um suspiro de alívio», e um analista do Royal Bank of Canada disse que o voto tirou um risco que pesava sobre as empresas de energia.
Para quem pensa em diversificar o patrimônio fora do Brasil, o caso canadense mostra que a moeda reage à política mesmo num país estável: bastou uma votação para o dólar canadense se mexer. O peso desse tipo de risco na escolha da moeda está explicado em geopolítica, dólar e planejamento patrimonial. Em Alberta, os próximos passos saem ainda nesta terça, quando Smith fala à província, e o referendo do Quebec, se vier, fica para após janeiro de 2029, pela promessa do próprio Parti Québécois.
Quer acompanhar o que mexe com as moedas?
Toda segunda, uma seleção do que mexeu com o dólar, os juros e o seu patrimônio.
Fontes: Global News — "Alberta referendum voters reject separatism, choose to stay in Canada" (Karen Bartko) (20/10/2026 (lido em 20/10/2026)); The Globe and Mail — "Alberta referendum results: Markets, business leaders breathe sigh of relief after majority vote to stay in Canada" (cobertura ao vivo) (20/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Al Jazeera (com AP e Reuters) — "Alberta voters reject separation from Canada, early results show" (20/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Al Jazeera (com AP e Reuters) — "Secessionist party wins Quebec election in Canada" (06/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Radio-Canada — "Voici les résultats des élections au Québec en cartes et graphiques" (Mélanie Meloche-Holubowski) (06/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Elections Alberta — 2026 Referendum, Unofficial Results (perguntas do referendo) (lido em 20/10/2026).

