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Déficit dos EUA chega a US$ 1,99 trilhão, o maior em cinco anos: o que muda na hipoteca e no seu dólar

O governo americano gastou US$ 7,40 trilhões e arrecadou US$ 5,40 trilhões no ano fiscal encerrado em setembro; só os juros da dívida passaram de US$ 1 trilhão, e a hipoteca de 30 anos está em 7,40%

Leo Martins · · 4 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Fachada do prédio do Departamento do Tesouro dos EUA em Washington, com oito colunas, a inscrição "The Treasury Department" no frontão e a estátua de Alexander Hamilton atrás de uma grade de ferro
Foto: Carol M. Highsmith / Library of Congress (Wikimedia Commons) · Domínio público · origem

O governo dos Estados Unidos fechou o ano fiscal, encerrado em 30 de setembro de 2026, gastando US$ 1,99 trilhão a mais do que arrecadou. Foi o maior rombo desde 2021, segundo o relatório final do Tesouro americano: as despesas somaram US$ 7,40 trilhões e a receita, US$ 5,40 trilhões. Para quem tem ou quer ter patrimônio em dólar, a pergunta é direta: isso encarece a hipoteca e ameaça a moeda?

O rombo cresceu US$ 217 bilhões em um ano

No ano fiscal anterior, o déficit tinha ficado em US$ 1,78 trilhão. A alta foi de US$ 217 bilhões, ou 12%, segundo o American Action Forum, centro de estudos de Washington que acompanha o orçamento. O instituto estima o déficit em 6,1% do PIB americano e lembra que, em dólares, só os anos da pandemia tiveram rombo maior: US$ 3,1 trilhões em 2020 e US$ 2,8 trilhões em 2021.

A despesa que mais chama atenção é a conta de juros da própria dívida. Ela passou de US$ 970 bilhões para US$ 1,05 trilhão em um ano, alta de 8%, pelos números do Tesouro. É mais do que o governo gastou com defesa (US$ 965 bilhões).

  • US$ 1,99 trilhãodéficit do governo americano no ano fiscal encerrado em 30/09/2026, segundo o Tesouro
  • US$ 1,05 trilhãogasto com juros da dívida no mesmo ano, ante US$ 970 bilhões no ano anterior
  • 7,40%taxa média da hipoteca de 30 anos em 15/10, segundo a Freddie Mac

Mais dívida pode pesar no juro longo que guia a hipoteca

Para cobrir o buraco, o Tesouro tomou US$ 2,07 trilhões emprestados do público no ano, vendendo títulos. Quanto mais título o governo precisa vender, mais ele tende a pagar para atrair comprador. Esse juro dos títulos longos, como o de 10 anos, é a referência que a taxa do financiamento imobiliário segue, como explicamos em por que a hipoteca subiu mesmo com o emprego fraco.

O efeito existe, mas as estimativas mostram que ele é pequeno. Pela conta citada pela Fundação Peter G. Peterson, organização americana que acompanha a dívida, cada 1 ponto percentual a mais de dívida em relação ao PIB está ligado a algo entre 0,02 e 0,03 ponto percentual a mais no juro de 10 anos. E na semana passada esse juro até caiu: de 5,21% em 13 de outubro para 5,09% no dia 16, segundo o Tesouro. A hipoteca de 30 anos ficou em 7,40% em 15 de outubro, ante 6,27% um ano antes, segundo a Freddie Mac.

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Para quem guarda patrimônio em dólar, o déficit é um ponto a acompanhar, não um alarme

O déficit não derruba o dólar de uma hora para outra, e os números do Tesouro não falam em calote nem em falta de comprador para os títulos. O que eles mostram é um custo que cresce: juros mais caros sobre uma dívida maior. Na prática, quem pretende financiar um imóvel nos EUA sente isso na parcela; quem compra à vista sente de forma indireta, porque juro alto segura a procura por casas. A discussão sobre o dólar perdendo força no mundo está na matéria sobre o "Sell America", e o contraste com as contas do Brasil, na matéria sobre a dívida brasileira.

Dois números ajudam a acompanhar daqui para a frente: o juro do título de 10 anos, publicado todo dia pelo Tesouro, e a conta de juros da dívida, que sai todo mês no mesmo relatório.

Contas do governo: Tesouro dos EUA, Final Monthly Treasury Statement do ano fiscal de 2026 (tabelas 1, 2 e 9). Comparação com anos anteriores e déficit sobre o PIB: American Action Forum (18/10/2026). Juro do título de 10 anos: Tesouro dos EUA, curva diária de juros (outubro de 2026). Hipoteca: Freddie Mac, Primary Mortgage Market Survey (15/10/2026). Efeito da dívida sobre o juro: Fundação Peter G. Peterson (2019). A ligação entre déficit e juro longo é estimativa de estudos, não regra fixa.

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Fontes: Tesouro dos EUA (Bureau of the Fiscal Service) — "Final Monthly Treasury Statement — Receipts and Outlays of the United States Government, For Fiscal Year 2026 Through September 30, 2026" (PDF; destaque, tabelas 1, 2 e 9) (outubro de 2026, dados até 30/09/2026 (lido em 19/10/2026)); American Action Forum — "U.S. Treasury: FY 2026 Deficit Totaled $2 Trillion" (Jordan Haring) (18/10/2026 (lido em 19/10/2026)); Freddie Mac — Primary Mortgage Market Survey (PMMS), taxa média da hipoteca de 30 anos (15/10/2026 (lido em 19/10/2026)); Tesouro dos EUA — Daily Treasury Par Yield Curve Rates (curva diária de juros, outubro de 2026) (01 a 16/10/2026 (lido em 19/10/2026)); Peter G. Peterson Foundation — "Higher National Debt Means Higher Interest Rates for the Federal Government" (atualizado em 06/05/2019 (lido em 19/10/2026)).

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