Contas públicas: rombo de R$ 10 bi em agosto e dívida em 82,9% do PIB — por que isso pesa no dólar
A dívida bruta chegou ao maior nível desde março de 2021, empurrada pelos juros. O próprio Banco Central explica por que esse número importa para o câmbio e para quem tem patrimônio em reais
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins. Leo Martins tem vínculo com The Florida Lounge, anunciante deste conteúdo.

O setor público brasileiro — União, estados, municípios e estatais — gastou mais do que arrecadou em agosto e fechou o mês com déficit primário de R$ 10 bilhões, segundo as estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O número em si até melhorou: em agosto de 2025, o rombo tinha sido de R$ 17,3 bilhões. O que chama a atenção é outro dado do mesmo relatório — a dívida.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), principal medida de endividamento acompanhada pelo mercado, chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 82,6% em julho. É o nível mais alto desde março de 2021, quando estava em 85,1%, em plena pandemia, de acordo com a série histórica do BC. Em dinheiro, são cerca de R$ 11,1 trilhões, informou a Agência Brasil.
O que pesou em agosto
O déficit primário é a conta sem os juros da dívida. Em agosto, o Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) respondeu por um déficit de R$ 14,7 bilhões; estados e municípios tiveram superávit de R$ 2,7 bilhões e as estatais, de R$ 2 bilhões, segundo a Agência Brasil. Em 12 meses, o déficit primário soma 0,62% do PIB.
O peso maior está nos juros. Os gastos com juros nominais foram de R$ 105,9 bilhões no mês, ante R$ 74,3 bilhões um ano antes — parte da diferença veio das operações de swap cambial, que passaram de ganho a perda, segundo o BC citado pela Agência Brasil. Somando juros e déficit primário, o rombo nominal acumulado em 12 meses chegou a 9,48% do PIB. De acordo com o BC, o avanço da dívida bruta no mês refletiu principalmente a incorporação desses juros, além do efeito do câmbio.
- R$ 10 bidéficit primário do setor público em agosto
- 82,9%do PIB é a dívida bruta — maior nível desde março de 2021
- 9,48%do PIB é o déficit nominal em 12 meses, com juros
No ano, a dívida bruta subiu 4,2 pontos percentuais do PIB: em dezembro de 2025, estava em 78,6%. A dívida líquida — que desconta ativos como as reservas em dólar — ficou em 69,3% do PIB.
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Por que isso pesa no dólar
Quem explica o caminho é o próprio Banco Central. Na ata da última reunião do Copom, publicada em 22 de setembro, o comitê escreveu que a política fiscal tem uma dimensão estrutural capaz de “afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida” e de impactar o prêmio pago nos juros longos. Em outras palavras: quanto mais dúvida sobre a trajetória da dívida, mais o investidor cobra para emprestar ao país — e mais arisco fica o dinheiro que entra e sai do Brasil, o que aparece no câmbio.
A mesma ata lista, entre os riscos para a inflação, uma taxa de câmbio “persistentemente mais depreciada”. Ou seja, dívida em alta não é só um problema de Brasília: ela pode encarecer o dólar, que por sua vez pressiona preços e dificulta a queda dos juros.
Isso não quer dizer que o dado de agosto tenha mexido no câmbio de forma imediata. No dia da divulgação, a cotação de referência do dólar (PTAX) ficou em R$ 5,18, abaixo dos R$ 5,22 da véspera, segundo o BC. E a mediana do Boletim Focus segue projetando R$ 5,20 para o fim de 2026. O efeito fiscal costuma ser de fundo, não de um dia.
E daí para quem tem patrimônio em reais
Para quem pensa em dólar, a dívida pública é um dos termômetros que ajudam a entender o risco de manter todo o patrimônio em uma única moeda. Uma trajetória de dívida crescente não define o câmbio de amanhã, mas entra na conta do prêmio de risco do país. O que vale acompanhar nos próximos meses é se o déficit primário continua recuando, quanto dos juros a Selic — hoje em 13,75% — continua acrescentando à dívida e como o mercado reage nas próximas divulgações do BC.
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Fontes: Banco Central — SGS, série 4649 (resultado primário do setor público consolidado, fluxo mensal) (agosto/2026 (divulgado em 30/09/2026; lido em 01/10/2026)); Banco Central — SGS, série 13762 (Dívida Bruta do Governo Geral, % do PIB) (jan/2021 a ago/2026 (lido em 01/10/2026)); Banco Central — SGS, séries 5793 e 5727 (resultado primário e nominal acumulados em 12 meses, % do PIB) (agosto/2026 (lido em 01/10/2026)); Banco Central — Estatísticas fiscais (página da divulgação) (30/09/2026); Agência Brasil — "Contas públicas têm déficit de R$ 10 bilhões em agosto" (30/09/2026); Banco Central — Ata da 281ª reunião do Copom (parágrafos 8 e 11) (22/09/2026); Banco Central — SGS, série 1 (dólar comercial, PTAX venda) (30/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Banco Central — Boletim Focus (expectativas de mercado, sistema de expectativas) (25/09/2026 (base do Focus de 28/09/2026)).

