Americanas sai da recuperação judicial após 3 anos e 9 meses: o que muda para credores e acionistas
A Justiça do Rio considerou pagas as parcelas do plano que venciam em dois anos, e ainda cabe recurso; o credor que não receber o resto pode cobrar na Justiça, e o acionista viu a ação subir 18,09% numa empresa que ainda dá prejuízo
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

A Justiça do Rio de Janeiro encerrou a recuperação judicial da Americanas. A sentença, assinada em 19 de outubro pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial, diz que a varejista cumpriu as obrigações do plano que venciam nos dois anos seguintes à aprovação pela Justiça. O processo tinha começado em 19 de janeiro de 2023, poucos dias após a empresa revelar um rombo contábil bilionário. Ainda cabe recurso da decisão.
A empresa pediu o fim do processo em março de 2026, e a administração judicial e o Ministério Público confirmaram os pagamentos
O plano de pagamento das dívidas foi aprovado pelos credores em dezembro de 2023 e homologado pela Justiça em 26 de fevereiro de 2024. A Americanas pediu o encerramento em 25 de março de 2026, dizendo ter cumprido tudo o que vencia nesse prazo de dois anos. A administração judicial e o Ministério Público do Rio confirmaram o cumprimento e deram parecer favorável. Com a sentença, a expressão «em Recuperação Judicial» sai do nome da empresa e de outras do grupo.
As parcelas que vencem depois continuam valendo: o credor que não receber pode cobrar na Justiça ou pedir a falência
O fim do processo não apaga os pagamentos que ainda vão vencer. A sentença diz que o plano aprovado vale como título que pode ser cobrado na Justiça: o credor que se sentir prejudicado por um pagamento não feito pode pedir a execução da dívida ou a falência da empresa. As disputas sobre o valor de créditos que seguem abertas continuam na mesma vara, e o crédito reconhecido nelas segue as condições do plano. O juiz rejeitou objeções de vários credores, entre eles donos de títulos da empresa em dólar, que reclamaram da conversão dos créditos para reais.
A fraude nas contas chegou a R$ 25,2 bilhões, e as dívidas cobradas no processo somaram R$ 42,5 bilhões
Em janeiro de 2023, a Americanas falou em inconsistências de cerca de R$ 20 bilhões. Depois da revisão dos balanços, o valor do rombo chegou a R$ 25,2 bilhões, segundo a Agência Brasil. No processo foram declaradas dívidas de R$ 42,5 bilhões, com mais de 9 mil credores. O plano previa R$ 12 bilhões de dinheiro novo dos acionistas de referência — Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles — e outros R$ 12 bilhões dos bancos, que trocaram dívida por ações.
- R$ 25,2 birombo contábil apurado nos balanços revisados
- R$ 42,5 bidívidas declaradas no processo
- R$ 12 bidinheiro novo dos acionistas de referência
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A ação subiu 18,09% na manhã seguinte à decisão, mas a Americanas teve prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre
Por volta das 11h de 20 de outubro, as ações da Americanas subiam 18,09%, cotadas a R$ 7,05, segundo o Money Times. A sentença trata das dívidas com credores, não do valor da empresa. No segundo trimestre de 2026, a Americanas teve prejuízo de R$ 274 milhões, ante R$ 98 milhões no mesmo período de 2025, com receita líquida de R$ 3,3 bilhões. Sair da recuperação tira a empresa de um processo que durou 3 anos e 9 meses, mas não muda sozinho esse resultado. Para quem pensa a bolsa brasileira em dólar, explicamos como funciona o Ibovespa em dólar.
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Fontes: Americanas S.A. — Fato relevante «Encerramento da Recuperação Judicial», com a íntegra da sentença da 4ª Vara Empresarial do TJRJ (processo 0803087-20.2023.8.19.0001) (19/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Americanas S.A. — Fato relevante «Protocolo do Pedido de Encerramento da Recuperação Judicial» (25/03/2026 (lido em 20/10/2026)); Americanas S.A. — Fato relevante sobre o deferimento do processamento da recuperação judicial (19/01/2023 (lido em 20/10/2026)); Agência Brasil — «Justiça decreta fim da recuperação judicial da Americanas» (19/10/2026 (lido em 20/10/2026)); Agência Brasil — «Justiça homologa plano de recuperação do Grupo Americanas» (26/02/2024 (lido em 20/10/2026)); Money Times — «Americanas (AMER3): ações disparam com fim da recuperação judicial» (20/10/2026, 11h19 (lido em 20/10/2026)).

