Dólar a R$ 4,50? Goldman Sachs e Morgan Stanley dizem que só com ajuste nas contas públicas
Os dois bancos americanos põem o dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 nos cenários otimistas, que dependem do que o próximo governo fizer com os gastos; nos pessimistas, a moeda chega a R$ 6
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

O dólar terminou a semana passada perto de R$ 5: a PTAX, taxa oficial calculada pelo Banco Central, ficou em R$ 4,9892 na sexta (9). Dois grandes bancos americanos já desenham cenários em que a moeda cai mais. O Goldman Sachs projeta o dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 num cenário que considera favorável ao mercado, segundo o InfoMoney. O Morgan Stanley, que passou a recomendar a compra de ações brasileiras depois do 1º turno, vê o dólar a R$ 4,50 no cenário mais otimista.
Para o Goldman, R$ 4,80 é o preço justo do dólar se o investidor parar de cobrar pelo risco das contas públicas
A condição é a mesma nas duas análises: a política fiscal. Para o Goldman, a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 depende de o resultado da eleição vir acompanhado de uma orientação fiscal, segundo a Bloomberg Línea. Chegar a R$ 4,80 significaria o fim do "prêmio fiscal" — o desconto que o investidor cobra para correr o risco das contas públicas brasileiras. Os modelos de longo prazo do banco também apontam R$ 4,80 como o preço justo do dólar.
O Morgan Stanley faz a mesma ressalva. Segundo o InfoMoney, o dólar a R$ 4,50 não é o cenário principal do banco, e sim o extremo positivo da análise, e a consolidação fiscal é "condição indispensável" para que ele aconteça.
Se o risco fiscal voltar ao nível de dezembro de 2024, o Goldman vê o dólar perto de R$ 5,80
Os mesmos relatórios mostram o outro lado. No cenário pessimista do Morgan Stanley, o dólar vai a R$ 6. Para o Goldman, se o prêmio fiscal voltar ao nível mais alto de dezembro de 2024, o real perderia perto de 14% e o dólar iria a cerca de R$ 5,80; com um prêmio parecido com o de setembro de 2024, ficaria em torno de R$ 5,40. Nas contas do banco, o que move o câmbio são as decisões sobre as contas públicas depois da eleição, mais do que o resultado em si. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Previsão de banco também muda com o mercado. Em abril, o próprio Goldman projetava o dólar a R$ 4,90 em três meses e a R$ 5,00 em seis e em 12 meses. E há bancos que veem o caminho oposto no curto prazo: o Bank of America espera a moeda americana ainda subindo no mundo até atingir um pico, enquanto a tese do "Sell America" aposta num dólar mais fraco.
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Como nenhum banco sabe qual cenário vai valer, a decisão de ter patrimônio em dólar não deve depender da previsão
Se os cenários otimistas se confirmarem, um imóvel na Flórida fica mais barato em reais, como já aconteceu na semana do 1º turno. Mas os mesmos bancos põem o dólar a R$ 6 no cenário ruim, e ninguém sabe qual vai valer.
Os motivos para manter uma parcela do patrimônio em dólar — proteção contra a oscilação do real, renda em moeda forte, um plano B — não dependem de acertar a cotação. Quem tem compromisso em dólar com prazo, como a entrada de um imóvel, costuma diluir a compra da moeda no tempo em vez de esperar pela previsão certa.
Cenários do Goldman Sachs: Bloomberg Línea (1/10/2026) e InfoMoney (7/10/2026); projeção de abril: InfoMoney (28/4/2026). Cenários do Morgan Stanley: InfoMoney (6/10/2026). PTAX de venda: Banco Central do Brasil (9/10/2026). São previsões dos bancos, não do Valor & Mercado; o Valor & Mercado não cobre disputa partidária.
Fontes: InfoMoney — "O que os bancos estrangeiros esperam da Bolsa e do dólar após o 1º turno?" (07/10/2026, 11h00 (lido em 13/10/2026)); InfoMoney — "Morgan eleva Brasil a compra, vê Ibovespa até 250 mil pontos e dólar a R$ 4,50" (Lara Rizério) (06/10/2026 (lido em 13/10/2026)); Bloomberg Línea — "Dólar pode ir de R$ 4,50 a R$ 5,80 após eleição e depende do fiscal, segundo o Goldman" (01/10/2026, 10h01 (lido em 13/10/2026)); Banco Central do Brasil — PTAX (cotação de venda, API Olinda) (09/10/2026 (lido em 13/10/2026)); InfoMoney — "Real lidera moedas em 2026 e Goldman projeta dólar a R$ 4,90 em três meses" (Lara Rizério) (28/04/2026 (lido em 13/10/2026)); Exame — "Dólar a R$ 4,50 após a eleição? O que os bancos internacionais veem para a moeda" (Letícia Furlan) (05/10/2026 (lido em 13/10/2026)).

