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Proteção contra a alta do dólar chega ao maior nível desde 2020 antes do segundo turno: o que isso quer dizer

No mercado de opções, o seguro contra a alta do dólar ficou bem mais caro que o seguro contra a queda: a diferença entre os dois passou de 6%, depois de cair a 1,41% no começo de setembro. É sinal de medo de oscilação no câmbio, não de para onde a cotação vai

Leo Martins · · 3 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Placa azul e branca de uma casa de câmbio presa a uma parede de granito, com o título «Currency Exchange» e as cotações de compra e venda do dólar, da libra e do franco suíço em números grandes
Foto: Donald Trung Quoc Don / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · origem

Quem quer se proteger de uma alta do dólar está pagando mais caro por isso. Na última semana, o indicador que mede esse preço no mercado de opções — o risk reversal de um mês do real — passou de 6%, o maior nível desde 2020, segundo dados da Bloomberg publicados pela Bloomberg Línea. No começo de setembro, o mesmo indicador tinha caído a 1,41%, o menor desde fevereiro de 2020. A virada aconteceu em pouco mais de um mês, na reta final antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

O indicador compara o preço do seguro contra a alta do dólar com o do seguro contra a queda

Uma opção de câmbio funciona como um seguro: quem compra paga um valor hoje para ter o direito de comprar dólar a um preço combinado mais adiante. Se o dólar disparar, o seguro cobre a diferença. O risk reversal compara o preço do seguro contra a alta do dólar com o do seguro contra a queda. Quanto maior o número, mais caro está o seguro contra a alta — sinal de que a procura por ele cresceu e de que o mercado teme o real perdendo valor de uma vez.

O movimento não ficou só no câmbio. Na bolsa, as posições em aberto em opções de venda do Ibovespa — o seguro contra a queda das ações — chegaram ao maior volume desde abril, também segundo a Bloomberg Línea.

Analistas ligam a procura por proteção ao segundo turno e às contas públicas

Gestores e analistas ouvidos pela Bloomberg Línea ligam a corrida por proteção à incerteza sobre o resultado do segundo turno e sobre o plano para as contas públicas do próximo governo. Também lembram que, depois da valorização recente dos ativos brasileiros, muita gente quer garantir o que já ganhou. É isso que o indicador mostra: quanto o mercado aceita pagar para não ser pego de surpresa. Ele não diz para onde o dólar vai — e pode mudar rápido, como mostrou a queda de setembro.

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O seguro por opções acaba numa data marcada; ter parte do patrimônio em dólar não vence

A proteção por opções é um contrato de prazo curto, pensado para quem precisa travar o custo do dólar numa data próxima, como uma empresa com contas a pagar lá fora. Passado o prazo, ela acaba. Ter parte do patrimônio em dólar é outra coisa: não vence e não depende de acertar a semana certa. Como já mostramos ao tratar da leitura do Bank of America sobre o dólar, nem os grandes bancos cravam o câmbio.

Quem tem um compromisso em dólar com data, como a parcela de um imóvel, a mensalidade de uma escola ou uma mudança, pode dividir a compra da moeda ao longo do tempo. Assim, tira de um único dia o poder de definir o preço do plano inteiro. Vale também para quem acompanha a conta do dólar na compra de um imóvel na Flórida.

Dados conferidos em 18/10/2026: risk reversal de um mês do real e opções de venda do Ibovespa — Bloomberg Línea Brasil, «Demanda por hedge para dólar e bolsa cresce antes do segundo turno das eleições» (15/10/2026), com dados da Bloomberg; nível de setembro — Bloomberg Línea Brasil (10/9/2026); data do segundo turno — calendário da Justiça Eleitoral, via Diário do Nordeste. O Valor & Mercado não cobre disputa partidária nem pesquisa eleitoral. Esta matéria não recomenda compra ou venda de derivativo, moeda ou outro ativo.

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Fontes: Bloomberg Línea Brasil — "Demanda por hedge para dólar e bolsa cresce antes do segundo turno das eleições" (Barbara Nascimento, Leda Alvim e David Marino, com dados da Bloomberg) (15/10/2026 (lido em 18/10/2026)); Bloomberg Línea Brasil — reportagem de 10/09/2026 sobre o risk reversal do real no menor nível desde fevereiro de 2020 (10/09/2026 (lido em 18/10/2026)); Diário do Nordeste — "Quando é o segundo turno das Eleições 2026? Veja data e quem pode disputar" (calendário da Justiça Eleitoral) (lido em 18/10/2026).

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