Dívida pública chega a R$ 9,29 tri e nunca dependeu tanto da Selic — por que isso pesa no câmbio
Mais da metade da dívida federal (52,74%) agora segue a taxa básica de juros, recorde desde 2000, segundo o Tesouro. Entenda o que isso muda para o dólar e para quem tem todo o patrimônio em reais

A Dívida Pública Federal (DPF) — tudo o que o governo deve em títulos no mercado, dentro e fora do país — fechou agosto em R$ 9,29 trilhões, alta de apenas 0,04% sobre julho, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional na segunda-feira (28). O número estável esconde que os juros seguem engordando a conta e que a dívida nunca dependeu tanto da Selic.
Os juros empurraram o estoque
Segundo o relatório, em agosto o Tesouro resgatou R$ 84,43 bilhões em títulos a mais do que emitiu. Mesmo assim, o estoque subiu, porque R$ 88,39 bilhões em juros foram incorporados ao saldo no mês. O custo médio acumulado em 12 meses, também pelo relatório, passou de 12,45% para 12,59% ao ano. Para o fim de 2026, o Tesouro projeta a DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
- R$ 9,29 trié o estoque da dívida federal em agosto de 2026
- 52,74%dela segue a Selic — maior fatia da série iniciada em 2000
- R$ 88,39 biem juros foram somados à dívida só em agosto
Mais da metade da dívida segue a Selic
A parcela em títulos de taxa flutuante — quase toda em LFT, o título que rende a Selic — subiu de 51,11% em julho para 52,74% em agosto, o maior percentual da série histórica iniciada em dezembro de 2000, informou o Ministério da Fazenda. Pelas tabelas do relatório, o estoque de LFT chegou a R$ 4,90 trilhões, ante R$ 4,16 trilhões em dezembro de 2025. O Plano Anual de Financiamento de 2026, já revisado, admite de 49% a 53% para esse tipo de título: a dívida está perto do teto.
O resto, segundo o Tesouro, se divide entre títulos atrelados à inflação (23,22%) e prefixados (20,31%), e o prazo médio subiu de 4,05 para 4,10 anos.
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Por que isso deixa juros e câmbio mais sensíveis
O título prefixado tem a taxa travada no dia da venda. O atrelado à Selic, não: cada vez que o Banco Central mexe na taxa básica — hoje em 13,75% ao ano, segundo a ata da reunião de setembro do Copom —, o custo dessa parte da dívida muda junto. Com mais da metade do estoque assim, juro alto passa quase direto para a conta do governo.
Na mesma ata, o BC afirma que “as incertezas sobre a estabilização da dívida pública” têm potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia. Em linguagem simples: quanto mais a dívida cresce puxada pelos próprios juros, mais o investidor cobra para financiar o país — e o câmbio é um dos lugares onde esse prêmio de risco costuma aparecer.
O relatório mostra o elo com o dólar também de forma direta, ainda que pequena: a dívida externa, 3,75% do total, ficou mais cara em agosto principalmente porque o dólar se valorizou 2,05% frente ao real no mês, segundo o Tesouro.
O Tesouro diz que pretende reduzir aos poucos a fatia atrelada à Selic se o país voltar a ter superávits primários de forma estrutural, segundo a Agência Brasil.
E daí para quem pensa em patrimônio fora
Nada disso indica para onde vai o dólar. O relatório mostra uma dívida mais exposta à Selic e, por tabela, à confiança do mercado nas contas públicas. Para quem avalia ter parte do patrimônio em outra moeda, os pontos a acompanhar são concretos: se a fatia atrelada à Selic passa do teto de 53% do plano, como evolui o custo médio da dívida e o que o Copom decide sobre os juros.
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Fontes: Tesouro Nacional — Relatório Mensal da Dívida Pública Federal (RMD), agosto/2026 (texto em PDF; seções 2.1, 2.2, 2.3, 3.2 e 4.1, Tabela 2.1 e indicadores do PAF 2026) (28/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Tesouro Transparente — página do RMD de agosto de 2026 (28/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Ministério da Fazenda — "Dívida Pública Federal totaliza R$ 9,29 trilhões em agosto" (28/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Agência Brasil — "Dívida Pública Federal fica estável em agosto e chega a R$ 9,29 tri" (Wellton Máximo) (28/09/2026 (lido em 01/10/2026)); Banco Central — Ata da 281ª reunião do Copom, 15 e 16/09/2026 (parágrafos 8 e 18) (setembro/2026 (lido em 01/10/2026)).

