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Quando comida e energia disparam, a inflação fica mais alta por anos, mostra estudo do FMI

Num estudo com 85 economias, a disparada de comida, transporte e luz deixa esses gastos mais caros por anos e empurra para cima a inflação esperada, com mais força em países como o Brasil

Leo Martins · · 4 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Vista do alto da seção de frutas e verduras de um supermercado no Rio de Janeiro, com bancas de cenoura, batata, cebola, laranja e melancia cortada, plaquinhas de preço e clientes escolhendo produtos
Foto: Avelludo / Wikimedia Commons (recortada) · CC BY-SA 4.0 · origem

Quando o preço da comida e da energia dispara de uma vez, o efeito na inflação não some em poucos meses. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado em 6 de outubro como capítulo do relatório Perspectivas da Economia Mundial, mostra que o básico continua mais caro e que a inflação esperada fica mais alta por anos depois de uma crise assim. O capítulo se chama «Navegar num mundo sujeito a choques».

O FMI chama esses episódios de crises de custo de vida: momentos em que o preço do básico — comida, transporte e gastos com a casa, como luz e gás — sobe de repente, mais rápido que os outros preços e que os salários. Entre 2005 e 2025, 75 das 85 economias estudadas passaram por pelo menos uma crise assim, e 46% delas passaram por duas ou mais.

Três anos depois, comida, transporte e luz ainda custam 7% a mais, e o salário fica 3% abaixo do que seria sem a crise

Segundo o estudo, três anos depois do começo da crise, o preço do básico continua, em média, cerca de 7% acima do preço dos outros produtos e serviços. Os salários, já descontada a inflação, ficam cerca de 3% abaixo do caminho que seguiam antes. Os economistas do FMI resumem assim: a expectativa de inflação sobe e fica acima do nível de antes da crise por anos.

Nos emergentes, como o Brasil, a inflação esperada sobe 5,3 pontos, contra 2,7 nos países ricos

Um ano depois do início da crise, a inflação que se espera para o ano seguinte segue cerca de 2,7 pontos percentuais acima do nível de antes da crise nos países ricos e 5,3 pontos acima nos emergentes e em desenvolvimento, grupo do Brasil. Mesmo a inflação esperada para daqui a cinco anos continua 1,1 ponto acima nos emergentes três anos depois do começo da crise; nos países ricos, 0,3 ponto.

Boa parte da alta vem de fora. Nos países ricos, um fator global explica cerca de 70% da alta do preço do básico nessas crises; nos emergentes, pouco menos de 40%. Os episódios se concentram em 2007–08 e em 2022–23. O FMI lembra que comida, luz e combustível subiram forte nos últimos cinco anos, da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, à guerra no Oriente Médio deste ano.

  • 75 de 85economias estudadas tiveram ao menos uma crise de custo de vida entre 2005 e 2025
  • 7%quanto o básico ainda custa a mais que o resto, três anos depois
  • 5,3 pontosalta da inflação esperada nos emergentes, um ano depois do início da crise
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O FMI recomenda subir os juros só se a inflação esperada começar a subir

Para os bancos centrais, a recomendação do FMI é não reagir a uma alta passageira causada por falta de produto, mas estar pronto para subir os juros se a inflação esperada começar a subir ou se a alta se espalhar para outros preços. É esse o ponto que pesa agora no Brasil, onde a inflação de setembro voltou a passar do teto da meta, e nos Estados Unidos, onde a inflação ainda segura a decisão do Fed sobre os juros.

Quando a crise vem com juros altos, o aluguel também sobe

Um quadro do estudo trata do aluguel. Segundo o FMI, o aluguel só sobe nessas crises quando elas vêm com alta de juros: o juro mais alto dificulta a compra do primeiro imóvel e empurra mais gente para o aluguel.

Para os governos, o FMI diz que a melhor proteção é uma ajuda em dinheiro, temporária, para as famílias mais pobres. Segurar o preço para todo mundo custa de 3 a 6 vezes mais para dar a mesma proteção; subsidiar quem produz custa de 14 a 22 vezes mais.

Para quem cuida do patrimônio, o recado do estudo é que um choque de comida e energia não se resolve em poucos meses: o efeito na inflação esperada dura anos, e é essa expectativa que os bancos centrais olham para decidir os juros. As previsões do mesmo relatório para o crescimento e a inflação do Brasil estão na matéria sobre o corte do FMI na previsão do PIB do Brasil.

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Dados conferidos em 21/10/2026: capítulo 2 do relatório Perspectivas da Economia Mundial de outubro de 2026 do FMI, sobre as crises de custo de vida, e texto dos autores no blog do FMI, de 6/10/2026.

Fontes: FMI — World Economic Outlook, outubro de 2026, capítulo 2, «Navigating a Shock-Prone World: Lessons from Cost-of-Living Crises» (lido na versão em texto do PDF) (06/10/2026 (lido em 21/10/2026)); FMI — blog de Braulio Britos, Chiara Maggi, Galip Kemal Ozhan e Sihwan Yang, «Targeted Support, Not Subsidies, Can Best Protect People When Inflation Surges» (06/10/2026 (lido em 21/10/2026)).

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