Arrecadação recorde garante o superávit de 2027? O que a receita de setembro diz sobre a dívida e os juros
O governo arrecadou R$ 239,4 bilhões em setembro, 5,62% acima de 2025 descontada a inflação, e a Fazenda diz que o superávit do ano que vem está mantido; mas a dívida subiu para 82,9% do PIB, e é ela que pesa no dólar e na Selic
Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

O governo federal arrecadou R$ 239,4 bilhões em impostos e contribuições em setembro, o maior valor já registrado pela Receita Federal para o mês, segundo dados divulgados em 22 de outubro. Descontada a inflação, a alta foi de 5,62% sobre setembro de 2025. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Orçamento de 2027 continua prevendo superávit. Receita recorde, porém, não resolve sozinha o que mais preocupa quem investe: a dívida do governo continua subindo, empurrada pelos juros.
De janeiro a setembro, o governo arrecadou R$ 2,351 trilhões, 6,97% acima de 2025 já descontada a inflação
No acumulado do ano, a arrecadação somou R$ 2,351 trilhões, com alta real de 6,97% sobre os nove primeiros meses de 2025. Só os tributos que a própria Receita administra somaram R$ 231,4 bilhões em setembro, alta real de 5,03%.
O dinheiro a mais veio da folha de pagamento, das importações e do imposto sobre aplicações
Segundo a Receita, a contribuição para a Previdência rendeu R$ 64,6 bilhões em setembro, 6,18% acima de um ano antes, porque a soma dos salários pagos no país cresceu e porque a desoneração da folha de pagamento está sendo retirada aos poucos. Os impostos sobre importações somaram R$ 13,3 bilhões, alta real de 21,07%, com mais compras do exterior e alíquotas maiores. O imposto retido sobre rendimentos de aplicações financeiras rendeu R$ 12,06 bilhões, alta de 9,68%, puxado pela renda fixa e pela tributação de dividendos. O imposto sobre o lucro das empresas e o imposto de exportação sobre o petróleo bruto também ajudaram.
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Durigan diz que o superávit de 2027 está mantido mesmo com as medidas recentes
Superávit primário é quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. O projeto de Orçamento de 2027, entregue ao Congresso em 31 de agosto, prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, e a meta fixada para o ano é de 0,5% do PIB, com parte das despesas fora da conta, como a regra fiscal permite.
Depois do reajuste do Bolsa Família, da redução de impostos sobre o diesel e a gasolina e do novo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola, Durigan afirmou: «Na parte fiscal, nós estamos entregando superávit para o ano que vem no Orçamento, considerando todas essas medidas». Segundo a Agência Brasil, o Ministério do Planejamento vai remanejar cerca de R$ 20 bilhões dentro do projeto de 2027, sem aumentar o limite total de gastos. A previsão é do governo; o resultado só se conhece no fim de 2027.
A dívida do governo subiu de 77,3% para 82,9% do PIB em um ano, mesmo com arrecadação recorde
O superávit primário não inclui os juros, e é aí que está o peso. Pelos dados do Banco Central, a dívida bruta do governo equivalia a 82,87% do PIB em agosto de 2026, contra 77,31% em agosto de 2025. Com a Selic em 13,75% ao ano, o custo de rolar essa dívida é alto, e a arrecadação recorde não basta para fazer a dívida cair. Por que a dívida depende tanto da Selic está explicado na matéria sobre a dívida pública.
Para quem tem patrimônio em reais, o que mexe com o dólar e os juros é a trajetória da dívida, não o recorde de um mês
Quando o mercado duvida que a dívida vai parar de subir, cobra mais juros para emprestar ao governo e o dinheiro fica mais arisco para entrar no país, o que aparece no câmbio. Esse caminho está detalhado na matéria sobre as contas públicas de agosto. Os próximos dados a acompanhar são o resultado primário de setembro, que o Tesouro e o Banco Central divulgam no fim do mês, e a votação do Orçamento de 2027 no Congresso.
Dados conferidos em 23/10/2026. Arrecadação: Receita Federal, via Agência Brasil (Pedro Peduzzi, 22/10/2026) e Contábeis (23/10/2026). Fala de Dario Durigan e medidas: Agência Brasil (Wellton Máximo, 22/10/2026). Projeto de Orçamento de 2027: TradeMap, com base no InfoMoney (31/08/2026). Dívida bruta: Banco Central, série 13762 do SGS. Selic: Banco Central, série 432 do SGS.
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Fontes: Agência Brasil — "Arrecadação federal cresce 5,62% em setembro e soma R$ 239,4 bilhões" (Pedro Peduzzi), com os dados da Receita Federal (22/10/2026 (lido em 23/10/2026)); Agência Brasil — "Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan" (Wellton Máximo) (22/10/2026 (lido em 23/10/2026)); Contábeis — "Arrecadação federal soma R$ 239,4 bilhões e bate recorde em setembro" (23/10/2026 (lido em 23/10/2026)); TradeMap — Orçamento de 2027 tem previsão de superávit primário de R$ 18,6 bi (com base no InfoMoney) (31/08/2026 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 13762 (Dívida Bruta do Governo Geral, % do PIB) (dados até agosto de 2026 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 432 (meta Selic) (lido em 23/10/2026).

