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O Banco Central estuda limitar o crédito pela renda: o que pode mudar no cartão e no empréstimo pessoal

O BC prepara regras para obrigar os bancos a checar se o cliente consegue pagar antes de emprestar e olha o modelo de Cingapura, que prende a dívida do cartão ao salário; as famílias já devem aos bancos quase metade da renda de um ano

Leo Martins · · 4 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Mão passando um cartão de crédito azul numa maquininha de pagamento branca, com visor verde e teclado numérico, sobre um balcão
Foto: Hloom Templates / Wikimedia Commons (recortada) · CC BY 2.0 · origem

O Banco Central prepara um pacote de medidas para conter o endividamento das famílias e estuda limitar o crédito sem garantia, como o cartão e o empréstimo pessoal, conforme a renda de cada cliente. A informação é de duas pessoas que participam das discussões, ouvidas pela agência Reuters em 20 de outubro. O BC não quis comentar. Nada foi decidido: segundo a Reuters, as medidas devem sair aos poucos.

O banco teria de checar se o cliente consegue pagar antes de emprestar

Uma das propostas obriga os bancos a analisar com mais cuidado a situação financeira do cliente antes de liberar o dinheiro. Outra exige que as condições do empréstimo apareçam de forma clara antes da assinatura do contrato. Segundo uma das fontes da Reuters, a discussão parte de duas perguntas: a pessoa consegue pagar a dívida sem apertar demais o orçamento? E aquele tipo de crédito é o certo para ela? Exigir mais capital dos bancos não deve entrar no primeiro pacote.

Em Cingapura, quem ganha menos só pode dever no cartão dois a quatro meses de salário

Entre os países estudados pelo BC, a Reuters cita Cingapura, que uma das fontes descreveu como um exemplo que deu certo. Lá, quem ganha até cerca de 30 mil dólares de Cingapura por ano, perto de US$ 23.435, pode, em geral, dever no cartão e no empréstimo sem garantia o equivalente a até dois meses de renda. De 30 mil a 120 mil por ano, o limite sobe para quatro meses. Acima disso, não há limite por cliente.

A autoridade monetária de Cingapura tem ainda um teto para a soma das dívidas sem garantia que cobram juros: 12 vezes a renda mensal, regra em vigor desde junho de 2019. O banco não pode dar crédito novo sem garantia a quem fica acima desse teto por três meses seguidos.

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As famílias brasileiras já devem aos bancos quase metade da renda de um ano

Pelos dados do Banco Central, a dívida das famílias com bancos e financeiras equivalia a 49,86% da renda de 12 meses em julho de 2026, contra 48,78% um ano antes. A parte da renda do mês que vai para pagar juros e prestações chegou a 28,72%, contra 27,32% em julho de 2025.

Numa apresentação de 24 de agosto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, mostrou onde está o problema. No cartão, 52,8 milhões de pessoas têm dívida com juros, no rotativo ou no parcelamento. O juro médio do rotativo era de 15,13% ao mês em junho, e a parte do saldo do rotativo em atraso subiu de 55% para 64,5% ao longo de 2025. No empréstimo pessoal, quem toma sem garantia pagava 149,5% ao ano em junho, contra 27,5% de quem dá alguma garantia. O BC também escreveu, no relatório de estabilidade financeira de maio, que a dívida do cartão preocupa mais que a do financiamento da casa própria, porque o imóvel é um bem para a vida da pessoa e o rotativo não tem garantia nenhuma.

Para quem usa cartão e empréstimo pessoal, por enquanto nada muda

Não há regra publicada nem data. Se o BC seguir um modelo como o de Cingapura, quem ganha menos teria o limite do cartão e do empréstimo sem garantia preso ao salário, e o banco teria de mostrar que olhou a capacidade de pagamento antes de aprovar. O crédito já está caro: a Selic está em 13,75% ao ano, e o caminho dos juros está explicado na matéria sobre o Copom de novembro. A dívida do governo também depende muito da Selic, como mostra a matéria sobre a dívida pública.

Dados conferidos em 23/10/2026. Medidas em estudo: Reuters, reportagem de Marcela Ayres e Bernardo Caram (20/10/2026), com base em duas fontes; o BC não comentou. Regras de Cingapura: Reuters e Monetary Authority of Singapore, «Borrowing Limit on Unsecured Credit» (atualizado em 01/12/2022). Endividamento e comprometimento da renda: Banco Central, séries 29037 e 29034 do SGS (dados até julho de 2026). Cartão e empréstimo pessoal: apresentação de Gabriel Galípolo na Febraban Tech (24/08/2026). Selic: Banco Central, série 432 do SGS.

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Fontes: Reuters — "Brazil Central Bank Looks to Encourage Responsible Lending in Consumer Debt Crackdown, Sources Say" (Marcela Ayres e Bernardo Caram), texto integral da agência reproduzido pela rádio WHTC (20/10/2026 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 29037 (endividamento das famílias com o SFN em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses, RNDBF) (dados até julho de 2026 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 29034 (comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida com o SFN) (dados até julho de 2026 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — apresentação de Gabriel Galípolo na Febraban Tech 2026, "Inclusão e cidadania financeira: do acesso ao uso responsável" (24/08/2026 (lido em 23/10/2026)); Monetary Authority of Singapore — "Borrowing Limit on Unsecured Credit" (30/05/2017, atualizado em 01/12/2022 (lido em 23/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 432 (meta Selic) (lido em 23/10/2026).

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