Quinta-feira
Início / Economia / Estados Unidos
Economia · Estados Unidos

Petróleo volta a US$ 110: por que o barril subiu, quanto custa a gasolina na Flórida e o que isso faz com os juros

Ataques no Oriente Médio e a falta de diesel russo levaram o Brent ao maior preço desde maio; na Flórida, o galão está em US$ 4,06, e o Fed já aponta a energia como o principal motivo da inflação mais alta

Leo Martins · · 4 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Placa de preços de um posto Shell na área de serviço de Fort Pierce, na Florida's Turnpike, com os preços de março de 2025 em letreiro vermelho e verde e as bombas ao fundo
Foto: DanTD / Wikimedia Commons (recortada) — preços da placa são de março de 2025 · CC BY 4.0 · origem

O barril do petróleo Brent, a referência internacional, voltou à casa dos US$ 110. Em 16 de outubro, o contrato futuro fechou a US$ 109,86, alta de 3,7% no dia e o maior preço desde 19 de maio, segundo a Reuters. Nesta quinta-feira, 22, voltou a subir e passou de US$ 111. Para quem vive ou tem patrimônio nos EUA, a pergunta é dupla: quanto isso pesa na bomba de gasolina e o que faz com os juros, lá e aqui.

O barril sobe com ataques no Oriente Médio e a falta de diesel russo

Em 16 de outubro, dois motivos puxaram o preço, segundo a Reuters. No Oriente Médio, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita derrubou um míssil que tinha como alvo Yanbu, porto do Mar Vermelho usado para escoar petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz. Na Europa, os ataques de drones da Ucrânia a refinarias russas levantaram a dúvida sobre quanto diesel a Rússia consegue entregar ao mercado.

O preço oscila a cada notícia. Em 21 de outubro, o Brent para dezembro fechou a US$ 108,82, quase estável, com as conversas entre Rússia e Ucrânia de um lado e petroleiros atingidos perto do Iraque e de Omã do outro, segundo o Money Times. Nesta quinta, por volta das 11h04 no horário de Londres, valia US$ 111,88, depois de ataques dos houthis, grupo armado do Iêmen, à Arábia Saudita e à sua estrutura de petróleo, segundo o BP Money.

Na Flórida, a gasolina custa US$ 4,06 o galão, ante US$ 2,93 há um ano

O preço do barril chega à bomba aos poucos. Nos postos da Flórida, o galão da gasolina comum custava em média US$ 4,06 nesta quinta-feira, segundo a associação de motoristas AAA. É menos que os US$ 4,23 de uma semana antes, mas bem acima dos US$ 2,93 de um ano atrás. Na região de Orlando, a média era de US$ 4,07. Na média dos EUA, o galão estava em US$ 4,27, e o diesel, em US$ 6,31.

  • US$ 109,86fechamento do Brent em 16/10, o maior desde 19 de maio, segundo a Reuters
  • US$ 4,06preço médio do galão de gasolina comum na Flórida em 22/10, segundo a AAA
  • US$ 2,93o mesmo galão na Flórida um ano antes

No Fed, a energia cara é o principal motivo da inflação mais alta

A inflação americana de setembro foi de 3,7% em 12 meses, como mostramos na matéria sobre a inflação de setembro, a gasolina e a hipoteca. Para o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, o fator que mais pesou na alta recente da inflação foi o preço da energia, incluindo gasolina e diesel. Em discurso de 1º de outubro, ele disse temer que a energia mais cara leve a uma alta duradoura dos outros preços. O diretor Christopher Waller lembrou, em 8 de outubro, que especialistas veem risco de petróleo caro até 2027, com estoques baixos e estrutura danificada. Juros mais altos por mais tempo encarecem a hipoteca: o que o Fed deve fazer na reunião de 28 de outubro está na matéria sobre a reunião do Fed de outubro.

Quer entender o que mexe com juros e dólar?

Toda segunda, uma seleção sobre juros, câmbio e imóveis na Flórida.

No Brasil, o Copom já listou o petróleo como risco para a inflação

Na reunião de 16 de setembro, quando cortou a Selic para 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central citou o conflito no Oriente Médio como fonte de incerteza e incluiu entre os riscos de alta da inflação os choques ligados ao petróleo e seus derivados. O que se espera da próxima decisão está na matéria sobre a Selic em novembro.

Nas bombas brasileiras, a Petrobras não anunciou reajuste de gasolina ou diesel em outubro até a manhã de quinta-feira, segundo os comunicados da empresa. O preço médio da gasolina no país ficou em R$ 6,53 o litro na semana de 11 a 17 de outubro, e a parte da Petrobras nesse valor era de R$ 2,08, segundo a empresa. O choque de combustível já chegou às passagens: a Gol cortou voos para Orlando e Miami por causa do querosene, como contamos aqui.

Petróleo: Reuters (16/10/2026, via Notícias Agrícolas), Money Times (21/10/2026) e BP Money (22/10/2026); preços do contrato futuro do Brent. Gasolina e diesel nos EUA e na Flórida: AAA, médias de 22/10/2026. Fed: discursos de Philip Jefferson (01/10/2026) e Christopher Waller (08/10/2026); inflação: Bureau of Labor Statistics (14/10/2026). Copom: comunicado da 281ª reunião (16/09/2026). Preço da gasolina no Brasil: Petrobras, composição de preços (coleta de 11 a 17/10/2026).

Fontes: Reuters — "Petróleo toca US$110 por barril pela primeira vez desde maio, devido a temores relacionados ao Oriente Médio e à Rússia" (reproduzida pelo Notícias Agrícolas) (16/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Money Times — "Petróleo fecha sem direção única com acordo na Ucrânia e tensão no Estreito de Ormuz no radar" (21/10/2026, 17h30 (lido em 22/10/2026)); BP Money — "Petróleo Brent passa de US$ 112 após novos ataques houthis na Arábia Saudita" (22/10/2026, 09h50 (lido em 22/10/2026)); AAA — Florida Average Gas Prices (22/10/2026 (lido em 22/10/2026)); AAA — National Average Gas Prices (22/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Federal Reserve — discurso do vice-presidente Philip Jefferson, "The U.S. Economy and Monetary Policy" (01/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Federal Reserve — discurso do diretor Christopher Waller, "The Signaling Value of the Summary of Economic Projections" (08/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Bureau of Labor Statistics — "Consumer Price Index — September 2026" (14/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Banco Central do Brasil — comunicado da 281ª reunião do Copom (16/09/2026 (lido em 22/10/2026)); Petrobras — composição de preços da gasolina (coleta de 11 a 17/10/2026 (lido em 22/10/2026)); Agência Petrobras — notícias e comunicados de preços (outubro de 2026) (lido em 22/10/2026 (último comunicado de preço de combustível em 16/09/2026)); Federal Reserve — Meeting calendars and information (FOMC) (lido em 22/10/2026).

Continue a leitura

Vista do alto da seção de frutas e verduras de um supermercado no Rio de Janeiro, com bancas de cenoura, batata, cebola, laranja e melancia cortada, plaquinhas de preço e clientes escolhendo produtos
Economia · Brasil

Quando comida e energia disparam, a inflação fica mais alta por anos, mostra estudo do FMI

Ler →
Avenida Paulista, em São Paulo, vista do alto num dia de céu azul, com prédios dos dois lados, carros e ônibus na pista e árvores no canteiro
Economia · Brasil

A economia cresceu em agosto, mas o mercado corta o PIB de 2027 para 1,32% e mantém a inflação de 2026 em 5,22%

Ler →