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Dólar já passou do que o mercado previa para 2027: o que bancos e o Focus esperam para câmbio, Selic e contas públicas

A pesquisa do Banco Central, fechada antes do segundo turno, via o dólar a R$ 5,15 e a Selic em 11,75% no fim de 2027; na segunda (26), a moeda fechou a R$ 5,40. O que o mercado diz que vai cobrar e o que muda para quem investe

Leo Martins · · 4 min de leitura

Texto produzido com apoio de IA e revisado por Leo Martins.

Edifício-sede do Banco Central em Brasília visto de baixo, com duas torres de vidro escuro ligadas por um pilar de concreto claro, sob céu azul com nuvens
Foto: Agência Senado, via Wikimedia Commons (recortada) · CC BY 2.0 · origem

Na sexta-feira (23), antes do resultado do segundo turno, os economistas ouvidos pelo Banco Central esperavam o dólar a R$ 5,15 no fim de 2027. Na segunda-feira (26), a moeda fechou a R$ 5,40. A distância entre os dois números resume a semana: o mercado está refazendo as contas para o ano que vem, e o que ele diz que vai olhar não mudou: o equilíbrio das contas públicas.

O Focus via dólar a R$ 5,15 e Selic de 11,75% no fim de 2027, mas foi fechado antes do tombo de segunda

O Boletim Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com bancos, gestoras e consultorias, saiu nesta segunda com dados até sexta. Para o fim de 2027, a mediana das projeções é de dólar a R$ 5,15, abaixo dos R$ 5,22 de uma semana antes, e de Selic a 11,75% ao ano, abaixo dos 12% da semana anterior. Para o fim deste ano, o Focus espera a Selic em 13,25%, contra os 13,75% de hoje, e o dólar a R$ 5,05. A inflação esperada para 2027 é de 4,34%.

Como a pesquisa foi fechada antes da eleição, esses números ainda não mostram a reação de segunda. A próxima edição vai dizer se os economistas mudaram de ideia.

Bancos falam em dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,60, a depender do que acontecer com as contas públicas

Fora do Focus, as leituras variam. Álvaro Vivanco, do Wells Fargo, projeta o dólar voltando para perto de R$ 5,30 nos próximos meses, valor que ele considera próximo do preço justo, segundo a InfoMoney. No cenário mais difícil, o Goldman Sachs calcula que a moeda poderia subir cerca de 12% e chegar à faixa de R$ 5,60 se o mercado concluir que a política fiscal não vai estabilizar a dívida pública. São cenários de quem projeta, não previsões certas.

  • R$ 5,15dólar esperado pelo Focus para o fim de 2027
  • R$ 5,40fechamento do dólar comercial em 26/10
  • 11,75%Selic esperada pelo Focus para o fim de 2027
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As contas públicas devem fechar 2027 no vermelho, e é isso que o mercado diz que vai cobrar

No mesmo Focus, a previsão para o resultado primário de 2027, a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta antes de pagar juros, é de um déficit de 0,30% do PIB, menor que o de 0,40% previsto uma semana antes. A dívida líquida do setor público deve chegar a 74% do PIB. Quanto pior essa conta, mais juro o mercado cobra para emprestar ao governo. O retrato mais recente da arrecadação está na matéria sobre a arrecadação de setembro.

Um grupo de cerca de 380 empresários, economistas e executivos, coordenado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, mandou aos dois candidatos do segundo turno uma proposta que chamou de «Plano Real dos juros». A ideia: superávit primário de pelo menos 1% do PIB e inflação de 3% em 2027, para que a Selic caia a 7,5% até dezembro daquele ano, e a dívida bruta, hoje em 82,9% do PIB, abaixo de 70% até 2030. É uma proposta do grupo, não um compromisso de governo, e está bem longe do que o Focus espera.

Para quem investe, juro alto por mais tempo e dólar caro são as duas pontas da mesma conta

Se a Selic demorar mais para cair, a renda fixa atrelada a ela segue pagando mais, e o crédito segue caro. Se o dólar ficar mais alto, tudo o que é cotado lá fora, de um imóvel na Flórida à faculdade de um filho, custa mais em reais. Ninguém sabe ainda qual cenário vai valer; por isso, quem tem compromisso em dólar com data costuma se sair melhor dividindo a compra ao longo do tempo. Para entender os juros, veja o que o mercado espera do Copom de novembro e por que a dívida pública pesa nos juros.

Projeções do Boletim Focus do Banco Central, relatório de 23/10/2026, divulgado em 26/10. Selic em vigor pelo Banco Central. Fechamento do dólar de 26/10 pelo Correio Braziliense. Projeções do Wells Fargo e do Goldman Sachs pela InfoMoney (27/10/2026). Proposta do «Plano Real dos juros» pelo site Times Brasil (23/10/2026).

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Fontes: Banco Central do Brasil — Focus, Relatório de Mercado de 23 de outubro de 2026 (divulgado em 26/10) (23/10/2026 (lido em 27/10/2026)); Correio Braziliense — "Dólar chega a R$ 5,4027 e Ibovespa cai 13,88%" (26/10/2026, 19h06 (lido em 26/10/2026)); InfoMoney — "Após bater os R$ 5,40 com reeleição de Lula, até onde o dólar pode ir?" (27/10/2026, 06h00 (lido em 27/10/2026)); Times Brasil — "DECISÃO 2026: em carta a Lula e Flávio Bolsonaro, economistas defendem 'Plano Real dos Juros' com metas para inflação e dívida pública" (23/10/2026, 07h44 (lido em 27/10/2026)); Banco Central do Brasil — SGS, série 432 (meta Selic) (lido em 27/10/2026).

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